RO:FM - Hoje vi um cego quando vinha ter contigo. Penso que ele não reparou em mim a não ser que eu tenha feito estremecer o mundo por algum efeito borboleta que não me pertence enquanto humano. Também assisti à transpiração colectiva de pinhais, respirando intensamente esse suor fresco dos pinheiros, que se erguia suavemente entre o orvalho que refrescava as mentes mais intelectuais, sempre preocupadas com a génese das personalidades. São tão mais felizes os que não pensam. Infeliz de mim por pensar!
FM:RO - E cego é quem pensa, é quem procura, é quem assiste..
RO:FM - Desculpa interromper, mas por momentos imaginei-me num cenário interessante. Apeteceu-me estar numa despida planície, perdido ao som dum piano, dançando sobre mim, num mistério de solidão que persiste em se eternizar. Vendo o teu reflexo em cada salto sobre o lago que nos acolhe.
FM:RO - O éter forma o caminho, mas caminho não existe algum. Está escuro e nada existe, a não ser este negro onde sentimos frio como o submergido em águas paradas... Algo se mexe sem que o vejamos... Algo serpenteia cor e calor, e algo mais que se mexe sem que o vejamos. Flashback: os olhos cerrados a este mistério. O corpo solto como rasgos de luz fluorescente e os olhos cerrados, para que então se expanda o sentido e o mundo se transforme numa bola de neve que guardamos à mesinha de cabeceira - agitando-a para evitar um bocejo.
RO:FM - Bocejo imagens estranhas. Vejo um corpo morto e compreendo pelo seu cheiro moribundo que balbuciou certas palavras que dizia constantemente quando a idade o permitia a ser despreocupado. A infantilidade é o que de melhor levamos para a morte. O prazer de viver em carroceis coloridos. Percorrendo o cíclico caminho para o fim!
FM:RO - Consuma-se arame-farpado como se tratasse de algodão-doce, ou defendam-se as cidades com soldadinhos de chumbo. Ergam-se do chão os fragmentos de uma nave de cristal, e forme-se do lixo um cruzador sideral, e vejam-se as paisagens que dois corpos metálicos nos facultem.
HIN HOC SIGNO VINCES
FM:RO - E cego é quem pensa, é quem procura, é quem assiste..
RO:FM - Desculpa interromper, mas por momentos imaginei-me num cenário interessante. Apeteceu-me estar numa despida planície, perdido ao som dum piano, dançando sobre mim, num mistério de solidão que persiste em se eternizar. Vendo o teu reflexo em cada salto sobre o lago que nos acolhe.
FM:RO - O éter forma o caminho, mas caminho não existe algum. Está escuro e nada existe, a não ser este negro onde sentimos frio como o submergido em águas paradas... Algo se mexe sem que o vejamos... Algo serpenteia cor e calor, e algo mais que se mexe sem que o vejamos. Flashback: os olhos cerrados a este mistério. O corpo solto como rasgos de luz fluorescente e os olhos cerrados, para que então se expanda o sentido e o mundo se transforme numa bola de neve que guardamos à mesinha de cabeceira - agitando-a para evitar um bocejo.
RO:FM - Bocejo imagens estranhas. Vejo um corpo morto e compreendo pelo seu cheiro moribundo que balbuciou certas palavras que dizia constantemente quando a idade o permitia a ser despreocupado. A infantilidade é o que de melhor levamos para a morte. O prazer de viver em carroceis coloridos. Percorrendo o cíclico caminho para o fim!
FM:RO - Consuma-se arame-farpado como se tratasse de algodão-doce, ou defendam-se as cidades com soldadinhos de chumbo. Ergam-se do chão os fragmentos de uma nave de cristal, e forme-se do lixo um cruzador sideral, e vejam-se as paisagens que dois corpos metálicos nos facultem.
HIN HOC SIGNO VINCES
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