
segunda-feira, 10 de setembro de 2007
07 FMRO
Campos verdes testemunham o último fôlego de vida. A prisão de vidro embacia com um último suspiro: de futuro servirá para reter o cheiro de carne podre, para que não se manche a extensão harmônica com a brisa leve do homicida. Encontrem-na em estranha morte, em estranhos preparos de mórbida perpetuação à memória infligida...
07 ROFM
Burguesa que a terra comeu. Foste grande, obtusa e obesa na vida. Morre velha cadela a quem reinos fálicos e falidos venderam aristocracia. O tempo é essencial para libertar os odores ácidos que te envolvem até às entranhas. Insectos de mil impérios percorram teu corpo e te consumam até ao tutano... eles sim, verdadeiros reis, predadores da morte, que te matam ao nível da vida que te matou. Aqui jaz luxúria!
quarta-feira, 30 de maio de 2007
06 FM:RO
FM:RO - Redentor divino ou multiplicidade de um só destino / Celebrem-se as chamas do nosso amor...
Pouco mais posso escrever, quando tudo o que tenho a fazer é manter-me na certeza de certas cartas nunca serem escritas a não ser na visão do teu sorriso...
Quero-te tanto...
Pouco mais posso escrever, quando tudo o que tenho a fazer é manter-me na certeza de certas cartas nunca serem escritas a não ser na visão do teu sorriso...
Quero-te tanto...
06 RO:FM
RO:FM - Apetece-me arrancar pedaços do meu corpo e comê-los como maçãs. Beber todo o meu sangue coagulado pelos pecados dos homens.
Bebam-me, comam-me, consumam as minhas entranhas até ao tutano, fazei isso pela ressurreição das minhas paixões, em memória de mim. Amén.
terça-feira, 29 de maio de 2007
segunda-feira, 28 de maio de 2007
05 FM:RO
FM:RO - São oito, e estão vazios porque é assim que se devem manter. São o medo posto na consciência, e de tão nula que é a sua relevância permanecem sem cor que os pinte. São oito, mas isso é apenas um facto ou uma circunstância: nada de valor superior ao conceito, que esse sim, sendo um ou um milhão, é o que é e nada mais. Farto-me deste cinzentismo. Não o entendo, entendendo apenas que não sou suposto compreender as oito abstracções que um deus relampejou como vómito, como mandamentos em pedra gravados. Farto-me desta escala monocromática, e canso-me de balbuciar suplícios sob a forma de enigmas e quebra-cabeças. Em acesso de raiva arremesso uma das cadeiras contra a montra, fazendo da minha vontade estilhaços que me atingem e me rasgam a indecisão. Não fujo do local, ora...
sexta-feira, 25 de maio de 2007
05 RO:FM
RO:FM - Hoje vim mais tarde. Obrigado por terem esperado. Invade-me uma certa alegria ao reparar que estamos a crescer. Sou pecador, o homem pecador. Sou uma impudência, animal sem prudência. Louco quem sabe. Mas afinal vejo o vazío a rebentar de obesidade, vejo os meus amigos que simplesmente não existem, nesta terapia de grupo que me eleva até à insanidade. Ouço cantos tristes e um rodopío circense no meio disto tudo. E no entanto tudo está vazío. Quem veio hoje não se quer mostrar. Esconde-se atrás de si mesmo. Silêncio. Nunca os mudos falaram e gritaram tão alto como hoje. Muitos não ouviram porque ainda não chegaram, ou não aumentaram o volume dos seus espíritos estereofónicos. Primeiro liguem a máquina.
04 RO:FM
RO:FM - Artista de rua, Trapezista de luz, malabarista gigano, quantas vezes voo sobre cidades em rasgos de prata, fundido no Anjo da minha guarda. Tu, meu anjo.Circo. Cinco Risos cobrem amarguras, cinco gargalhadas escondem cascatas de choro. Será a última vez que este baloiço suspenso dançará para mim. Quero voar. Voar contigo. Ser livre. Ser livre contigo. Sim. LIBERDADE. A fonte do nosso contentamento.
04 FM:RO
FM:RO - Quando nos encontramos foi a pausa celeste que nem tu nem eu esperávamos encontrar. Gastos em tudo, penhoramos as almas até ao dia em que nos unimos em terno abraço... Lemo-nos como radiografias, e lemos tudo o que sempre esperávamos ler. Sempre nos soubemos, apenas nunca nos haviamos abraçado em tal grandiosidade de um primeiro encontro. E, então, assim nos mantemos, em doce enleio por fim descoberto... É este abraço que nos aquece - no frio escuro, na noite agreste, debaixo das chuvas e acessiveis ao dano. É este abraço que faz de nos energia viva, qual dualidade una que se encerra em dois corpos e os ilumina.. Sempre nos soubemos.
quinta-feira, 24 de maio de 2007
03 FM:RO
FM:RO - Nem sempre fui o que agora sou. Só de há uns tempos para cá é que tenho vindo a encarnar a figura de um portento que não me considero. Arrepia-me o toque frio do couro à pele. Não, já não me arrepia: arrepiava-me ao início, agora visto o corpete facilmente, simulando até algum prazer. Trata-se somente de habituação, ou de deixar a mente fugir para estâncias onde malícia não existe, e deixar que o corpo seja fodido com mestria por todos aqueles carrascos com quem represento prazer...
Simulare... a minha arte..
03 RO:FM
RO:FM - Sinto que a minha cara se esconde por tudo aquilo que lhe quis dar. Substituições de que agora me queixo arduamente. Vagueio pela sala na espera de um beijo que não chega. Olho-te, observo-te, reparo-te tão distante, como se tudo o que fizemos se tivesse reduzido a um escancarar de pernas constante, que termina no frio restabelecimento de calorias. Quero liberdade, quero por um segundo da minha vida ter-te em plenitude. Quero deixar de ser um fantasma que esconde as chagas atrás das cortinas do espectáculo. Quero mostrar ao mundo quem sou. Que amo. Que te amo. Espécie rara de primadonna de fino traço e tão grosseiro acolhimento. Ergue-te da cegueira hedonista que te invadiu no berço. Arranca os Narcisos que nascem dos céus. E vem. Vem até mim e funde-te no abraço que te espera. Eu dou-te a mão!
02 FM:RO
FM:RO - É na náusea vespertina que encontro determinada conclusão. Vagueio a nudez do corpo por ruas que desconheço, que as roupas rasgou-as o habitual ataque de pânico que a ausência de uma garrafa de whiskey provoca. É esta vaga que possui a alma que me coage a circular, e a ver um mundo lindo como pequena deslumbrada em pleno parque de diversões... Acompanham-me sonhos, e todo o sonho é como o mundo deveria ser: essa corrente de emoções que circulam e rodopiam, esse excesso de informação que engana o intelecto e diverte a alma ferida... É que assim não estou sozinha... Assim, no auge de torpe demência, estou tudo menos sozinha...
02 RO:FM
RO:FM - Esvoaçam sobre mim pássaros sussurrando a minha morte. Eu não quero saber. Existo para além do possível. Mas tenho medo desta solidão constante. Tanto medo. Respeito. Sinto-me despida por um qualquer homem habituado a abrir as minhas pernas como girassóis. Estou despida, violada de todo o sentido de conformidade com o mundo. Quebram as rugas sobre o meu corpo, sobre este retrato corroído pelas rapinas que avizinham a morte. Mais um homem que me destrói em putrefactas doenças com o único propósito de espalhar o medo. Agora sou eu, despida e prostrada, oferecendo contracepção ao globo que me fodeu. Antes de mais, vou guardar o dinheiro!
quarta-feira, 23 de maio de 2007
01 FM:RO
FM:RO - Há que tingir o céu com o vermelho-sangue das chamas, onde se deixam flutuar adivinhas e tribos de dragões como símbolos de mortandade. Abandone-se este antro onde diamantes e escravos são para os seus donos o que a heroína é para o homem, e entregue-se o corpo à luxúria de cobiçar um desfecho herege sobre todo e qualquer esqueleto moralista a comando da Inquisição. Tome-se então um chá ao longe, para que de seguida se arrote satisfação...
01 RO:FM
RO:FM - Reviver a força dos cancioneiros medievais, em jogos de fantasia e movimento, onde esvoaçam ninhos de corvos celebrando a negrura de tão funesta idade. Correntes de ferro enfeitadas de encarnadas velas, incendeiam em euforia de loucura o bloco de pedra que a humanidade ergiu. Aldeias de feiticeiros e fadas de sonho, clonando criaturas entre os ciprestes altivos. Sob as cortinas deste sonho medievo, Orpheu desconfia e recua perdendo para sempre sua Eurídice, sua única razão de respirar a vida. Correm ventos que enfeitiçam por entre sombras do que se foi: um vencedor, um louco, em espectáculo de transformismo. É a vingança dos vencedores, serem desordeiros do normativo. Viva o incêndio da demência!
terça-feira, 22 de maio de 2007
INTRODUZIONE
RO:FM - Hoje vi um cego quando vinha ter contigo. Penso que ele não reparou em mim a não ser que eu tenha feito estremecer o mundo por algum efeito borboleta que não me pertence enquanto humano. Também assisti à transpiração colectiva de pinhais, respirando intensamente esse suor fresco dos pinheiros, que se erguia suavemente entre o orvalho que refrescava as mentes mais intelectuais, sempre preocupadas com a génese das personalidades. São tão mais felizes os que não pensam. Infeliz de mim por pensar!
FM:RO - E cego é quem pensa, é quem procura, é quem assiste..
RO:FM - Desculpa interromper, mas por momentos imaginei-me num cenário interessante. Apeteceu-me estar numa despida planície, perdido ao som dum piano, dançando sobre mim, num mistério de solidão que persiste em se eternizar. Vendo o teu reflexo em cada salto sobre o lago que nos acolhe.
FM:RO - O éter forma o caminho, mas caminho não existe algum. Está escuro e nada existe, a não ser este negro onde sentimos frio como o submergido em águas paradas... Algo se mexe sem que o vejamos... Algo serpenteia cor e calor, e algo mais que se mexe sem que o vejamos. Flashback: os olhos cerrados a este mistério. O corpo solto como rasgos de luz fluorescente e os olhos cerrados, para que então se expanda o sentido e o mundo se transforme numa bola de neve que guardamos à mesinha de cabeceira - agitando-a para evitar um bocejo.
RO:FM - Bocejo imagens estranhas. Vejo um corpo morto e compreendo pelo seu cheiro moribundo que balbuciou certas palavras que dizia constantemente quando a idade o permitia a ser despreocupado. A infantilidade é o que de melhor levamos para a morte. O prazer de viver em carroceis coloridos. Percorrendo o cíclico caminho para o fim!
FM:RO - Consuma-se arame-farpado como se tratasse de algodão-doce, ou defendam-se as cidades com soldadinhos de chumbo. Ergam-se do chão os fragmentos de uma nave de cristal, e forme-se do lixo um cruzador sideral, e vejam-se as paisagens que dois corpos metálicos nos facultem.
HIN HOC SIGNO VINCES
FM:RO - E cego é quem pensa, é quem procura, é quem assiste..
RO:FM - Desculpa interromper, mas por momentos imaginei-me num cenário interessante. Apeteceu-me estar numa despida planície, perdido ao som dum piano, dançando sobre mim, num mistério de solidão que persiste em se eternizar. Vendo o teu reflexo em cada salto sobre o lago que nos acolhe.
FM:RO - O éter forma o caminho, mas caminho não existe algum. Está escuro e nada existe, a não ser este negro onde sentimos frio como o submergido em águas paradas... Algo se mexe sem que o vejamos... Algo serpenteia cor e calor, e algo mais que se mexe sem que o vejamos. Flashback: os olhos cerrados a este mistério. O corpo solto como rasgos de luz fluorescente e os olhos cerrados, para que então se expanda o sentido e o mundo se transforme numa bola de neve que guardamos à mesinha de cabeceira - agitando-a para evitar um bocejo.
RO:FM - Bocejo imagens estranhas. Vejo um corpo morto e compreendo pelo seu cheiro moribundo que balbuciou certas palavras que dizia constantemente quando a idade o permitia a ser despreocupado. A infantilidade é o que de melhor levamos para a morte. O prazer de viver em carroceis coloridos. Percorrendo o cíclico caminho para o fim!
FM:RO - Consuma-se arame-farpado como se tratasse de algodão-doce, ou defendam-se as cidades com soldadinhos de chumbo. Ergam-se do chão os fragmentos de uma nave de cristal, e forme-se do lixo um cruzador sideral, e vejam-se as paisagens que dois corpos metálicos nos facultem.
HIN HOC SIGNO VINCES
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