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quarta-feira, 30 de maio de 2007

06 RO:FM

RO:FM - Apetece-me arrancar pedaços do meu corpo e comê-los como maçãs. Beber todo o meu sangue coagulado pelos pecados dos homens.
Bebam-me, comam-me, consumam as minhas entranhas até ao tutano, fazei isso pela ressurreição das minhas paixões, em memória de mim. Amén.

sexta-feira, 25 de maio de 2007

05 RO:FM

RO:FM - Hoje vim mais tarde. Obrigado por terem esperado. Invade-me uma certa alegria ao reparar que estamos a crescer. Sou pecador, o homem pecador. Sou uma impudência, animal sem prudência. Louco quem sabe. Mas afinal vejo o vazío a rebentar de obesidade, vejo os meus amigos que simplesmente não existem, nesta terapia de grupo que me eleva até à insanidade. Ouço cantos tristes e um rodopío circense no meio disto tudo. E no entanto tudo está vazío. Quem veio hoje não se quer mostrar. Esconde-se atrás de si mesmo. Silêncio. Nunca os mudos falaram e gritaram tão alto como hoje. Muitos não ouviram porque ainda não chegaram, ou não aumentaram o volume dos seus espíritos estereofónicos. Primeiro liguem a máquina.

04 RO:FM

RO:FM - Artista de rua, Trapezista de luz, malabarista gigano, quantas vezes voo sobre cidades em rasgos de prata, fundido no Anjo da minha guarda. Tu, meu anjo.Circo. Cinco Risos cobrem amarguras, cinco gargalhadas escondem cascatas de choro. Será a última vez que este baloiço suspenso dançará para mim. Quero voar. Voar contigo. Ser livre. Ser livre contigo. Sim. LIBERDADE. A fonte do nosso contentamento.

quinta-feira, 24 de maio de 2007

03 RO:FM

RO:FM - Sinto que a minha cara se esconde por tudo aquilo que lhe quis dar. Substituições de que agora me queixo arduamente. Vagueio pela sala na espera de um beijo que não chega. Olho-te, observo-te, reparo-te tão distante, como se tudo o que fizemos se tivesse reduzido a um escancarar de pernas constante, que termina no frio restabelecimento de calorias. Quero liberdade, quero por um segundo da minha vida ter-te em plenitude. Quero deixar de ser um fantasma que esconde as chagas atrás das cortinas do espectáculo. Quero mostrar ao mundo quem sou. Que amo. Que te amo. Espécie rara de primadonna de fino traço e tão grosseiro acolhimento. Ergue-te da cegueira hedonista que te invadiu no berço. Arranca os Narcisos que nascem dos céus. E vem. Vem até mim e funde-te no abraço que te espera. Eu dou-te a mão!

02 RO:FM

RO:FM - Esvoaçam sobre mim pássaros sussurrando a minha morte. Eu não quero saber. Existo para além do possível. Mas tenho medo desta solidão constante. Tanto medo. Respeito. Sinto-me despida por um qualquer homem habituado a abrir as minhas pernas como girassóis. Estou despida, violada de todo o sentido de conformidade com o mundo. Quebram as rugas sobre o meu corpo, sobre este retrato corroído pelas rapinas que avizinham a morte. Mais um homem que me destrói em putrefactas doenças com o único propósito de espalhar o medo. Agora sou eu, despida e prostrada, oferecendo contracepção ao globo que me fodeu. Antes de mais, vou guardar o dinheiro!

quarta-feira, 23 de maio de 2007

01 RO:FM

RO:FM - Reviver a força dos cancioneiros medievais, em jogos de fantasia e movimento, onde esvoaçam ninhos de corvos celebrando a negrura de tão funesta idade. Correntes de ferro enfeitadas de encarnadas velas, incendeiam em euforia de loucura o bloco de pedra que a humanidade ergiu. Aldeias de feiticeiros e fadas de sonho, clonando criaturas entre os ciprestes altivos. Sob as cortinas deste sonho medievo, Orpheu desconfia e recua perdendo para sempre sua Eurídice, sua única razão de respirar a vida. Correm ventos que enfeitiçam por entre sombras do que se foi: um vencedor, um louco, em espectáculo de transformismo. É a vingança dos vencedores, serem desordeiros do normativo. Viva o incêndio da demência!